Falo muito de blues por aqui e acabo publicando obituários muito mais do que gostaria em prol da informação, homenagem e divulgação da obra dos finados. Nem todos acabam ganhando o destaque que merecem às vezes por falta de tempo ou até paixão da minha pessoa. Ex.: Você sabia que oJeff Healey bateu as botas? Pois é. Foi em 2 de março desse ano… câncer…e o fato passou desapercebido por mim até pouco tempo. Acho que não dá também para se manter informado sobre todo mundo que resolve subir no telhado.
Porém quando alguém resolve reencarnar é sempre algo que acabo percebendo de alguma forma. Se essa pessoa é Muddy Waters, bem… mesmo que não seja exatamente uma reencarnação é bom dar uma atençãozinha.
Eis que do nada, esse ano, o filho mais velho de Muddy Waters resolve começar sua carreira como cantor de blues. Isso mesmo. 25 anos depois da morte do pai, Larry Williams decidiu adotar o nome Mud Morganfield aos 52 anos de idade e causar arrepios na espinha de cada um que conhece o trabalho de seu progenitor. Talvez sua voz não alcance certos tons graves e aveludados aqui ou um grito rascante ali. Talvez Mud careça realmente de uma presença de palco que emita a mesma sensação de realeza do pai. Mud não é Muddy, claro. Além da diferença nas impressões digitais, ele não teve a carreira ou o mesmo percurso histórico. Os céticos que façam o desconto mais apropriado.
Não me entendam mal. Eu nem pensaria em comparar tanto os dois artistas se não fosse pela proposta de Mud Morganfield, que se resume em tocar o repertório do seu pai da maneira mais aproximada que consegue. Não são versões. São covers e normalmente eu sou contra covers. É que nesse caso… bem… se alguém pode é esse cara mesmo.
Com vocês, Walking Through The Park com o Mud Morganfield (ocasionalmente conhecido como ‘Muddy Waters Jr.’) no Mijas Festival, na Espanha:
A rádio independente WMBR FMde Boston, transmitiu em seu programa uma entrevista com Reid Paley com direito a três versões ao vivo de suas canções.
O programa em sua maioria é composto de músicas country e Reid parece cair de para-quedas na última meia hora do episódio, demonstrando um bom humor esquizofrênico que muitas vezes parece desconcertar um pouco a hostess. De qualquer forma é bom poder partilhar esse lado divertido dele com vocês, já que nunca poderia ter gravado nosso papo anos atrás.
Consegui a gravação via podcast que ficou disponível mês passado e editei só o pedaço com ele. Espirituoso, cru, energético até cansar, Reid Paley pra vocês:
Quem quiser trocar mensagens com ele, é fácil encontrá-lo no MySpace ou Facebook. Eu não faço mais parte dessas comunidades, mas vocês podem também encher o saco do homem pedindo um vídeo online de alguma performance dele. Não existe nada por aí.
Outra coisa legal também é que seu site agora contém todas suas letras (pena que estão em formato de imagem).
Um outro podcast com Reid foi postado aqui no blog anteriormente, mas a entrevista foi por fone e ele estava um pouco mais seco. :P
Aqui tem um MuxTape para se ouvir online com uma mini-coletânea de Bo Diddley que fiz pra vocês.
Fiz porque suas músicas merecem serem reconhecidas por todo mundo que lê ou não lê o Blog.
Road Runner
Como disse uma vez em um post anterior, coisas interessantes sobre Bo Diddley:
Bo Diddley era o maior arroz de festa e tinha péssimo gosto para arranjos e backing-vocals;
Que em um disco de tributo à Clapton por bluesmen, Bo Diddley gravou uma versão de “Before You Accuse Me”, que ficou famosa pelo Clapton, mas é dele mesmo!
Que ele é um tosco tocando guitarra, mas é divertido pacas vê-lo num palco… tipo, err… “Who Do You Love” só tem um acorde, por exemplo. =P
Seu nome real é Ellas McDaniel e ele gravou um dos discos da sérieLondon Sessions.
Jesus and Mary Chain garavaram uma música em tributo ao cara chamada “Bo Diddley is Jesus” (que eu achei uma merda)
“Roadrunner” teve várias versões por outros artistas, inclusive Aerosmith.
Comercial da Nike com Bo Jackson, multiesportista americano:
No final, Bo Diddley faz um chiste dizendo “Bo, You don’t know diddley” (”Bo, você não sabe de nada!”)
“Eles copiaram tudo que fiz, deram um upgrade, bagunçaram tudo.
Parece que ninguém consegue aparecer com algo próprio…
eles têm que colocar um pouco de Bo Diddley ali” - Bo Diddley
Morreu Bo Diddley, o lendário bluesman que junto com Jerome Green, criou o Bo Diddley Beat, ou Jungle Beat, ou o Shave and a haircut, two bits… o ritmo foi sua assinatura e seu estilo foi um dos mais copiados na história da música popular ocidental.
Ele morreu hoje, aos 79 anos, em sua casa. Depois de meses adoentado, seu coração falhou pela última vez. Ano passado ele havia sofrido uma parada cardíaca três meses após um derrame durante uma turnê em Iowa. O derrame havia afetado sua fala e ele retornou para Florida, onde morava, para tratamento.
Um dos fundadores do rock’n'roll, reconhecido visualmente por sua guitarra retangular feita em casa, Bo Diddley além de fazer parte do Rock and Roll Hall Of Fame, possui uma estrela da Calçada da Fama, em Hollywood e um prêmio Grammy em 1999 por conjunto de toda obra (lifetime achievement award).
Sua influência é impossível de ser catalogada e versões de suas canções foram tocadas por grandes nomes do rock e pop como Doors, Buddy Holly, Rolling Stones (que conseguiram atingir as paradas americanas pela primeira vez graças a um cover do artista), Yardbirds, Who, Bruce Sprignsteen, Elvis Costello, Aerosmith, George Thorogood & The Destroyers, Eric Clapton entre centenas de outros.
Nascido como Ellas Bates em 30 de dezembro de 1928, no Mississippi, Bo Diddley ainda recebeu o nome adotivo de Ellas McDaniels que só foi usado em caráter oficial e pessoal (basicamente pela esposa), pois desde criança seus amigos da escola já utilizavam o apelido. Estudiosos do blues defendem a tese que seu apelido fora proveniente do Diddley Bo, instrumento rústico de uma corda similar ao berimbau brasileiro, Ellas no entanto declarou nunca saber a razão da alcunha.
Bo Diddley fazendo participação em “Bad to The Bone” de George Thorogood & The Destroyers. Nada mais justo do que pagar tributo, George.
O tempo fez bem para Buddy Guy. Você nunca daria 65 anos para ele. Essa vitalidade, que faz com que ele pareça vinte anos mais moço, tem mantido o bluesman no posto de um dos melhores guitarristas e cantores de blues da atualidade. Sua voz, que se nos anos 60 já era carregada de feeling, hoje possui um poder tão forte quanto sua guitarra.
Acompanhado de Tony Z nos teclados e do novato e promissor Frank Band na guitarra base, Buddy começou de maneira um pouco tímida, mas já na segunda música ninguém poderia dizer que ficou indiferente ou achando apenas “muito boa”. Em Five Long Years, Buddy mostrou ao que veio e arrepiou o público com seus vocais que balançavam entre lamentos chorosos e gritos de fúria. A carga emocional passada foi tão intensa, que pareceu necessário um descanso na levada da próxima música. Não para ele, é claro.
Quem nunca viu Buddy Guy ao vivo antes e depois compra um disco do bluesman, pode se decepcionar. A experiência não é nem um pouco parecida. Buddy ao vivo não possui todo aquele compromisso com o que gravou. Ele quer é poder realizar uma verdadeira demonstração de blues. Na metade do show, ele conversa com o público e revela que pode tocar algumas coisas de outros artistas se houver interesse. Buddy toca a introduções como “amostra grátis” de clássicos de Hendrix, John Lee Hooker, Cream, Ray Charles, Albert King, Marvin Gaye… um verdadeiro desfile de influências que ajudaram a consolidar o status de Buddy Guy como o mestre do blues que é hoje.
Pitadas de humor e descontração também marcaram sua apresentação. Buddy fez truques com a guitarra e anunciou suas músicas com frases como: “Essa foi Feels Like Rain do álbum intitulado… Feels Like Rain” ou “Essa se chama Damn Right I’ve Got The Blues do álbum que se chama… Damn Right I’ve Got The Blues”. Buddy também desceu do palco e tocou entre a platéia eufórica que o cercava a cada acorde distorcido de sua versão de Tramp, de Lowell Fulson.
No final de duas horas de show que passaram voando, Buddy encerra com uma versão instrumental de Cold Shot, de Stevie Ray Vaughan, deixando o palco para seus músicos jorrarem seus últimos solos, mantendo todos atentos até a última nota.
Sem sombra de dúvida e nenhuma pretensão, acredito que quem teve o privilégio de estar presente no ATL Hall naquela noite, pôde voltar para casa de alma lavada e carregando a lembrança do melhor show de blues dos últimos anos.
24-09-2002 - Originalmente publicado na revista online Mood. www.mood.com.br
Existential Blues (que não é um blues) + extra do Sentido da Vida.
Letra:
EXISTENTIAL BLUES
Tom “T-Bone” Stankus
The elusive butterfly has just tiptoed past my door
My bonny likes the Yankees, she says “hey t-bone what’s the score?”
I say “well, Reggie got 1 and 1 and 3 and 25 is 6 to 4″
Is the left wing really pinko? Colonel Sanders, what a bore.
You ask so many questions, what answers should I choose?
Is it schizoid paranoia or just existential blues?
The amenities of life have been chasing my soul
And my mind is transcendental, and I’m losing all control
And I’m sinking in the quagmire of illusions and Thoreau
I cry out “My name is T-Bone” as a hound dog digs a hole.
You ask so many questions, what answers should I choose?
Is it Plato’s heebie-jeebies or just existential blues?
Sailing, sailing, what is illusion, what is truth?
Sailing, sailing, over the existential blues.
God bless America, and Old Glory too.
May she always wave o’er us and the red, white and existential blues.
Bom-idda-bom (and more blue moon noises here)
The existential blues.
Hey you can do what you want but lay off my existential blues
My blue suede existential blues.
I was on a QUEST
Walking down the road today, doo-dah, doo-dah
I was walking down the road
I was looking for the truth of life
When I came across all these little people, little people
Little people all around me.
They looked up at me and said “Hey Mister, are you tall?”
And I said “Yes I’m tall, but who are you weird little wonders?”
And they looked up at me witht their big bloodshot eyes and said
“We are the lollipop kids, the lollipop kids, the lollipop kids
We are the lollipop kids, we’d like to welcome you to munchkin land.”
I said “Hey, hey, weird little wonders, I am on a quest.
Walking on the road today doo-dah, doo-dah”
I said “Hey kids I’m looking for the truth of life…
Where do I go? Who do I see?”
“Slow down mister. In order to find the truth of life,
you must see THE WIZARD!”
I said “The WIZARD????
Well where does this wizard oh wise one live?”
“You see the big green glow-in-the-dark house up on the hill?
I said “Yes, I see the big green glow-in-the-dark house up on the hill”
With the big dark forest between me
and the big green glow-in-the-dark house up on the hill.
And a little old lady on a Hoover vacuum
cleaner going “I’ll get you my little pretty, and your dog Toto too!”
I don’t even HAVE a little dog Toto…
Such predicaments! I must forage ahead!
Walking down the road today, doo-dah, doo-dah
I must find the truth of life
I said “but you know kids, I can handle the big green glow-in-the-
dark house up on the hill, I can handle the dark forest, I can
handle the little old lady and the very strange road they’re
sending me down… I’ve seen yellow stripes in the middle of the
road, but kids, never quite that wide!”
Alright, tighten your shorts pilgrim, and sing like the Duke:
Follow the yellow brick road
Follow the yellow brick road
Follow follow follow follow follow
Follow the yellow brick road
And ever a wonderful Wiz there was, the Wizard of Oz is
one because because because because because because
Because of the wonderful things he does.
La-la-la-la-la-la-la-la-la, la-la
We’re off to see the Wizard, the wonderful Wizard of Oz.
Well, I got a little bit tired.
Walking down the road today, doooo-dahhhhh, dooooo-daaaaahhhhhh.
A little bit tired of walking down this
old blinding yellow brick road
So I pulled my little tired body off to a little rest area,
And lo and behold there’s a little field
of little red flowers out there
[Sniff] Smells so good. Whoa! Getting pretty tired.
Smells so good [sniff]
Figured I’d just strectch out for a bit in this little field of…
poppies poppies poppies poppies poppies poppies ….
I was having a really strange dream, man, you know,
Little red flowers just smell awfully good
I was having a great time
The old wizard’s just going to have to wait, man.
And I’m just going to strecth out again in this field of poppies.
OhgodohgodDorothyDorothypoppiesfieldpoppiesfield…
Along came this old man in a green El Dorado two
Screeched to a halt.
A little short man with a big red nose,
toting a bottle of Yukon Jack,
Strolled up to me and said “hey, son”
I said “Old man, don’t bother me, poppies poppies poppies poppies”
He said “T-Bone!”
I said “wait a minute, this man knows my name!
He must be…THE WIZARD!!!!”
You must be the Wizard, the Wizard of Oz, Why have you come to
haunt me, O Wizard of Oz?
I said “Oh Wizard O Wise one, I’ve been on a quest
Walking down the road today, doo-dah, doo-dah
We are the lollipop kids, the lollipop kids
Follow the yellow brick road follow the…
I got tired, poppies poppies poppies poppies …
Little man, I’ve been through hell!”
He said “hey, slow down, relax!”
I said “Oh Wizard, oh wise one, I’ve come so far to find the truth of life”
He said “Hey, son, slow down, relax. To tell you the truth, son…”
I said “Wizard, that’s what I’ve come to find is the truth”
He said “no, son, you’ve got me all wrong. To tell you the truth,
son, how can I tell you this? Uh, I’ve been in this field
of poppies a long time, myself, and I’ve come to find, son,
that the only truth in life is right here in this bottle.”
I said “WIZARD!!!?!??!?”
He said “No, truly, son, in fact, I’d rather have this bottle
in front of me, than a frontal lobotomy!”
How profound, Wizard!
Some girl with psychic powers,
she said “T-bone, what’s your sign?”
I blink and answer “Neon,” I thought I’d blow her mind.
She’s reading Moby Dick, by some fruitcake named Herman.
She’s chomping of some knockwurst
was the duchess really German?
You ask so many questions, what answers should I choose?
Is this really Butte, Montana or just existential blues?
Really Butte, Montana… is it Plato’s heebie-jeebies…
Is it schizoid paranoia….
Depois de quase um ano, resolvi novamente procurar por St. Louis Slim no Google. Ano passado não tive tanta sorte e achei apenas uma página quebrada no MySpace e um “breve aqui” site.
St. Louis Slim me deu a oportunidade de tocar na Bourboun Street, em New Orleans e nunca poderei agradecer o bastante. Foi um momento extremamente importante para mim e um dos meus últimos grandes sonhos realizados.
Não foi um choque encontrar um site novo trazendo o lançamento do seu primeiro álbum ou uma entrevista seguida de shows em um podcast sobre música. O estranho mesmo foi ouvir ele falar de maneira descontraída durante a entrevista e entre as músicas do show. A impressão que tive do bluesmen durante as noites que estive no bar onde ele tocava me pintaram alguém bem diferente. St. Louis seguia um ritual de preparar seu equipamento, tocar uma ou duas músicas como teste de som e ir sentar no canto mais distante do balcão bebendo um shot de algum destilado que nunca tiver curiosidade de descobrir qual era. Falava pouco, era extremamente reservado e talvez até um pouco desconfiado de tudo e de todos. Não lembro de nenhum grande discurso entre as músicas… apenas uma apresentação sobre alguma canção que não passava de uma biografia básica - “essa canção se chama tal e foi composta por tal”.
Só posso considerar que eram momentos difíceis para ele por alguma razão e agora as coisas, mesmo depois do Katrina, melhoraram para ele. Desejo todo o melhor para ele e sempre meu sincero agradecimento. :)
Abaixo, St. Louis tocando “The World Gone Wrong“. A última música que toquei com ele naquela noite de 2004. O palco desse local é extremamente parecido com o do Funky Pirate. A única diferença talvez seja a falta do terno cinza que ele costumava sempre usar.
The World Gone Wrong
by Mississippi Sheiks
Strange things have happened
That never before
My baby told me
I would have to go
I can’t be good no more
Once like I did before
I can’t be good, baby
Honey, because the world’s gone wrong
Feel bad this mornin’
Ain’t got no home
No use a-worryin’
‘Cause the world gone wrong
I can’t be good no more
Once like I did before
I can’t be good, baby
Honey, because the world’s gone wrong
I told you, baby
Right to your head
If I did leave ya, I would
Have to kill you dead
I can’t be good no more
Once like I did before
I can’t be good, baby
Honey, because the world’s gone wrong
I tried to be lovin’
And treat you mine
But it seems that now, right
Got no love in mind
I can’t be good no more
Once like I did before
I can’t be good, baby
Honey, because the world’s gone wrong
If you have a woman
And she don’t be kind
Pray to the good Lord, to
Get her off your mind
I can’t be good no more
Once like I did before
I can’t be good, baby
Honey, because the world’s gone wrong
Then, when you’ve been good, now
Can’t do no more
Just tell her kindly
There is the front door
I can’t be good no more
Once like I did before
I can’t be good, baby
Honey, because the world’s gone wrong
Pack up my suitcase
Give me my hat
No use to ask me, babe because
I’ll never be back
I can’t be good no more
Once like I did before
I can’t be good, baby
Honey because the world’s gone wrong.
LOS ANGELES (Hollywood Reporter) - O rapper e ator Mos Def irá interpretar o famoso roqueiro Chuck Berry em “Cadillac Records“, que está sendo filmado em Nova Jersey.
Também no elenco estará Gabrielle Union, que fará o papel de Geneva Wade, namorada de Muddy Waters.
O filme da Sony BMG se passa na Chicago dos anos 1950 e segue a vida tumultuada do co-fundador da Chess Records, Leonard Chess (Adrien Brody), e seus artistas, incluindo Little Walter (Columbus Short), Howlin’ Wolf (Eamonn Walker), Etta James (Beyonce Knowles) e Willie Dixon (Cedric the Entertainer).
O roteiro e a direção são de Darnell Martin (”Aos Olhos de Deus”).
Mos Def participou recentemente da comédia de Michel Gondry “Be Kind Rewind”. Gabrielle Union já trabalhou no seriado “Ugly Betty” e na comédia ainda inédita de Eddie Murphy “Meet Dave”.
(Por Leslie Simmons)
Excelente dica do Bruno Linhares. :)
O bichinho é o que chamo de ‘Over Clean’. Quiseram dar muita simplicidade, um “design” praticamente inexistente, mas isso não deixou seus servidores mais rápidos. A navegabilidade, apesar de simples tem uma resposta um pouco lenta.
A interface final do seu tape é apenas uma lista em uma página simples. Não há um código embeded como no MixWit (mixtape que fiz por lá e foi postado aqui recentemente).
A possibilidade de apenas 1 mixtape com 12 músicas por conta criada no site é deprimente.
Pontos Altos:
Interface simples e somente com o básico do básico. Ideal para qualquer imbecil que saiba ler inglês usar. O resultado final também é simples pacas e basta clicar em alguma música da lista para ela ser carregada via streaming e armazenada. Clique novamente para pausar a música.
Parece ideal para quem gosta de ouvir os primeiros segundos de uma música e logo trocar de faixa que nem um retardado zapeando pela TV a cabo no domingo.
Comparação com o MuxTape:
A diferença básica ainda é o fato de que no MixWit você escolhe músicas de um arquivo online que eles disponibilizam (mas nem sempre a música listada está disponível realmente) enquanto o MuxTape você sobe as músicas que quer para a sua coletânea.
Resta saber se o usuário prefere customizar seu ‘tape’ da maneira mais profissa possível, subindo o que tem e se limitando a apenas UM ‘tape’ por conta criada no MuxTape ou se prefere algo mais bonitinho, com mais opções de design e as limitações do banco de dados do MixWit. Qualquer um que normalmente fica longe da música pop ficará mais contente com a primeira opção com certeza.
Chove fino lá fora, mas poderia ser qualquer coisa na verdade. Qualquer coisinha já é suficiente para abalar meu espírito empreendedor nesses dias. Estou aqui ao lado de um Italiano, na sala de refeições do albergue. O nome dele é Stéfano e no momento, assim como eu, ele está escrevendo algo.
Stéfano está viajando o mundo sem se utilizar de serviços de transporte aéreo e conta tudo o que acontece em uma homepage que esqueci o endereço. Mais tarde procuro e passo para vocês.
Minha barriga começou a doer novamente e parece que tudo que como me faz um pouco mal. Ainda não sei o porquê disso acontecer, mas meu metabolismo está bem acelerado nesses dias. Tudo o que bebo ou como, vai para o banheiro em cinco minutos. Ontem a noite, no Funky Pirate, fui no banheiro todas as vezes que tomava um drinque. Começo a ficar com vergonha de voltar lá.
Acho que o staff já reparou nas minhas incursões. Se fosse no Brasil, além de mijar toda hora, cagaria para o que o povo do bar pensa. Mas não estou em casa e tampouco no Kansas. Por mais que eu não goste, ainda não sei as regras ou o peso das coisas por aqui.
Estou enrolando um pouco aqui, mas vou parar com esses relatos bestas e vou dizer o que realmente aconteceu de interessante ontem.
Eu estava na área comum do albergue quando engajei uma conversa com um novaiorquino que me pediu para que eu tocasse algo na gaita para ele. Depois de tocar, ele disse que poderia ganhar meu almoço tocando nas ruas.
Agradeci o elogio e a dica, mas não sabendo o quanto daquilo poderia ser verdade, decidi levar as gaitas comigo ao French Quarter (onde rola o bafafá), só por desencargo de consciência.
Começava a me sentir menos mal do estômago e então fui andar um pouco no FQ com a minha mochilinha e tals… a idéia de tocar nas ruas não é tão ruim se eu tivesse um bom violonista e vocalista ao meu lado. Não posso pensar nisso logo de cara também. Primeiro designer gráfico, depois bares. Se ‘bares’ não der certo, rua!
Confesso que está sendo muito difícil para mim entrar em lugares e pedir emprego. Vários lugares que eu vejo por aqui são restaurantes que eu provavelmente me sentiria intimidado como freguês.
Nesse dia só preenchi uma ficha num barzinho modesto que realmente não precisava de mais funcionários. Bem… É um começo.
Mais tarde, no Funky Pirate (esse barzinho amarelo aí na foto), pedi para que St. Louis Slim me ouvisse tocar e que criticasse minhas habilidades para saber se eu poderia tocar nas ruas. Ali mesmo no bar, toquei Blowin”n’Jumpin’ e ele disse algo como:
- Tá… legal… maas você pode tocar uma lenta?
E eu toquei. Ele disse:
- Ceeeerto… você gostaria de tocar uma ou duas músicas comigo hoje? Seria um bom teste final.
- Claro! Seria Ótimo! Deixa eu só beber mais um pouco, ok?
Quase no final do show, ele me chamou e eu subi para tocar. Tocamos uma e ele gostou, então fiquei para outra. Aí, mais acostumado pude me soltar mais na base e ele gostou bastante. Me abriu um sorriso e disse:
- Muito bom, cara. Toca mais uma?
- Ca-la-ro.
Toquei ao todo quatro músicas com ele e encerramos com ‘World Gone Wrong’ (não em lembro de quem é, mas o Bob Dylan fez uma versão disso num disco de mesmo nome).
O bar estava bem vazio, mas não importa. Foi minha estréia na Bourbon Street e logo no segundo dia. Nada mal, acho.
Agora só me falta um emprego.
Segundos de Sabedoria: Americano não sabe fazer pão, mas mesmo assim vende bisnaga de pão francês na maior cara de pau. Já dá pra suspeitar pelo fato de não existir padarias aqui. Ora! Se não tem padaria, onde posso comprar um bom pão? Resposta: Não posso.
Decidi há tempos acreditar na humanidade e passar o resto da vida me decepcionando. Minha fé inabalável de que cada pessoa é um ser único e especial será o motivo do meu suicídio. Preciso me livrar de todas essas frustrações.