Poker Cap. 1 - A razão do dinheiro
Intro: A razão por trás desses textos.
Estou hospedando esses textos no meu blog, pois não tenho a intenção de me colocar na posição de um “mestre do poker” ou “mestre” de qualquer coisa. Estou escrevendo isso por duas razões:
1- Ensinar meus amigos leitores (você, leitor para-quedas ou que não conheço, está fora dessa razão)
2- Aumentar minhas chances de poder jogar com meus amigos leitores, já que muitos não conhecem nada ou muito pouco sobre o jogo. Isso me irrita um pouco.
Pode ser que o que escreverei sobre o jogo acabe ensinando ou até auxilie um jogador amador ou futuro jogador, mas isso não é uma terceira razão pra mim. Sorte de quem aprender algo e azar de quem perder seu tempo lendo coisas que já sabe ou discordar de qualquer coisa sobre o texto (metodologia, erros de acentuação, defesa da língua portuguesa como patrimônio ou o escambau). É isso. Aproveite quem puder.
Capítulo I - A razão do dinheiro no poker
Lembra que eu disse na introdução que me irritava um pouco as pessoas não saberem jogar poker? Bem… não é verdade. O que me irrita um pouco é quando encontro uma pessoa que não quer aprender na prática ou na teoria. O que me deixa realmente fora do sério é quando a pessoa se recusa a jogar por dinheiro. E o motivo é simples:
Poker, assim como a vida, é a arte das escolhas. Se você pudesse viver como um personagem de videogame, onde a qualquer erro você pudesse voltar com um clique no botão de Load Game ao último ponto onde salvou sua aventura, seria tudo muito mais fácil e sem propósito algum. O conceito do Save Game é excelente na maioria dos jogos de videogame… desde que você não esteja competindo com outro jogador humano. Quando uma situação pede uma escolha que envolve outra pessoa é recomendável avaliar bem suas opções antes de tomar a decisão que você acredita ser a mais correta. É assim na vida e é assim no poker.
Às vezes tomamos decisões erradas, portanto ás vezes tomamos decisões corretas. É algo lógico de uma maneira superficial, pois cada ato desencadeia outro, que desencadeia outro, infinitamente (insira aqui qualquer sermão da sua infância sobre responsabilidade, ou idéia a respeito de ação e reação). As decisões que tomamos diariamente repercutem ao infinito e é inconcebível para qualquer um calcular todos os desdobramentos de possibilidades. Nunca saberemos se nossa última ação desencadeará uma série maior de eventos positivos ou negativos para nós no decorrer da vida. Cada ação é uma aposta onde tentamos calcular, dentro de nossas limitações, o máximo de reações positivas para nós.
Pressupõe-se que as pessoas sentadas em volta de uma mesa de poker estão ali para se entreterem e um jogo deve conter diversão em algum nível. Alguns podem estar ali apenas para socializar (o que é ruim), outros pela necessidade do dinheiro (o que é muito ruim) e outros até por vício (que é bem ruim mesmo. Péssimo. Horrível de verdade). No entanto a grande maioria dos adeptos joga procurando diversão na competição e no exercício intelectual acima de tudo.
Quando seu time de coração ganha um campeonato você pode brilhar de felicidade, porém não altera o que seu chefe acha do seu trabalho naquela semana ou se seu pai continuará saudável nos próximos cinco anos. A verdade é que o impacto de tal evento na sua vida não é uma reação direta dele como no salário dos jogadores do time. Não existe nenhuma regra determinando que sempre que seu time ganhar uma copa, você deve ser uma pessoa mais feliz e deverá ficar rouco de tanto gritar. Isso é uma decisão sua e não diz respeito ao clube ou ao técnico do momento.
Imagine agora que você resolve jogar futebol no dia seguinte e ganha a partida. Muito bem. O que você realmente ganhou substancialmente? Digamos que você aumentou sua auto-estima, se exercitou, perdeu calorias (conta como ganho) e ganhou o respeito de outros jogadores… ok. Nada tangível fora a camiseta suada de um jogador adversário, mas o que citei já são prêmios excelentes para uma atividade considerada bem divertida por si só.
Ao contrário do futebol, poker é um jogo de baralho que, quando jogado propriamente, é extremamente chato. Para uma partida decente ocorrer são necessárias horas de jogo e na maioria delas você não estará envolvido em nenhuma ação. Sério mesmo. O que faz essas pessoas jogarem horas a fio então? Dinheiro, claro.
Independente do prejuízo ou lucro resultante de uma partida de poker, o dinheiro é a âncora do jogo para a vida fora dele (considerando aqui o regime capitalista). Sem ele, cada decisão não teria quase nenhum valor. Nada mais chato do que passar horas jogando um jogo tedioso que não promete nenhuma recompensa no final além de: “Uhu. Ganhei. Iêêêiii“.
A aposta por dinheiro, por menor que seja, torna cada ação um cálculo de risco e a constante tomada de decisões é o combustível que estimula tanto os jogadores. O risco pelo dinheiro envolvido é uma das coisas que faz o poker ser esse jogo maravilhoso e cada vez mais popular.
Não importa se o jogo possui um limite de apostas baixo ou alto. Centavos de Real ou milhares de Libras perdem ou ganham valor de acordo com os jogadores dispostos a apostar em uma partida. Cada mesa, composta de um grupo específico de jogadores, precisa determinar quanto dinheiro circulará no jogo e cada um tem a opção de aceitar ou não.
Para jogos caseiros, com os amigos, eu criei a idéia do “Valor da Noitada”. Um cacife (valor inicial que você precisa pra entrar no jogo) nunca deve ultrapassar o valor médio gasto em uma noitada. Dessa forma eu encaro a partida de jogo como uma diversão entre amigos tão válida quanto uma saída para um restaurante ou para uma casa de shows.

