Ballsy, bluesy stripped down rock, vaguely crazed country-noir
Me pareceu que fui o único a curtir a apresentação dele no Spitz em Londres. Colocaram ele para tocar no dia em que músicos minimalistas ou acústicos tocaram e o público parecia desejar algo mais roots, puritano talvez, com certeza algo mais light num festival de blues alternativo. Uma bobagem. Só porque ele se apresentou sem sua banda, não quer dizer que seu som não é pesado e rude.
“I’m a footnote because I’m not a genre act,”
Reid Paley entrou com sua gibson semi-acústica, cheio de trejeitos estranhos, um cara antimpático na superfície. Pura piada. Puro teatro. Faz parte do show, mas o público londrino não entendeu o jeitão malandro nova-iorquino caricato nem a proposta musical do cara. Reid faz música de bêbado. Uma espécie de Tom Waits que não se leva a sério… Reid percebeu o tempo todo que não estava em sintonia com a platéia e não fez o menor esforço para resolver isso. Pelo contrário: sacaneou, resmungou e falou bastante entre as músicas. Jogava pérola para os porcos.
O chato de um trabalho tão direcionado assim é que o artista acaba superestimando seus ouvintes de certa forma. Me lembra o filme Bruxa de Blair. Eu fiquei com medo vendo esse filme simplesmente porque já me perdi no meio do mato de noite, longe de qualquer casinha pra procurar abrigo e me identifiquei com a situação. Tá certo que não precisei de bruxa pra ficar com medo. Bastou um tornozelo torcido e uma pegada de onça pra me fazer tremer na base. No entanto, essa é uma experiência que nem todo mundo teve na vida pra associar. O filme até não é tão ruim, mas vai mexer muito mais como quem pode fazer tais associações.
“Give me one chance, I’ll fuck it up”
Se você nunca chegou em casa bêbado, sozinho e com as emoções a flor da pele, provavelmente não curtirá tanto o trabalho de Paley. Sarcasmo em doses cavalares também ajuda.
Pra vocês então dedico essa canção (especialmente pro Bresslau):
Sal’s Last Round
Nota: Procurem nessa página o sample de “A Song For You” que é uma boa mostra de como é ele tocando sozinho. E eu curto muito essa. Bem punkzinha.

